A PEQUENA NOTÁVEL 

“Mesmo estando em terra estranha, em condições desfavoráveis, aquela menina não esqueceu os milagres que, com certeza, presenciou em sua terra”.

 

No livro de 2 Reis 5, encontramos a história da cura de Naamã. Um relato extraordinário de um milagre rico de detalhes interessantes e um ensino fabuloso do trabalho de Deus na vida desse importante e respeitado homem, comandante do exército do rei da Síria. Dentro do contexto do milagre, aparece uma garota que sequer sabemos o nome – no entanto, sua ousadia e fé abriram caminho para a realização da cura. Mas, quem é essa menina? 

 

Na ocasião em que a Síria invadiu Israel, dentre os escravos capturados pelo poderoso exército, fora levada cativa uma menina que passou a servir a esposa de Naamã (v. 2). A serva é mencionada apenas uma vez; porém, sua pequena participação revela uma conotação notável. Qual foi esta sua participação? E como ela agiu?

 

1. Ela se importou – Considerando-se que fora retirada à força do seio familiar e de sua nação, sua atitude denota grandeza e cuidado por aquele que a escravizou. Provavelmente, ao presenciar o sofrimento do seu senhor, sua alma se enche de compaixão, gerando o amor que só nasce no coração daqueles que são tocados pelo Pai celeste.

 

2. Ela agiu, mesmo não sendo pequenos os riscos – Era uma escrava, estrangeira, judia, de crença monoteísta numa terra onde se venerava vários deuses; numa cultura dominada pelos homens. E se seu senhor não fosse curado? Provavelmente sofreria as consequências, juntamente com toda nação de Israel (Vv 4 a 7).

 

3. Ela agiu com fé – Mesmo estando em terra estranha, em condições desfavoráveis, não esqueceu os milagres que, com certeza, presenciou em sua terra. Alimentada pela esperança de que o Deus de Eliseu era capaz de operar mais um milagre – a restauração da saúde de um leproso – sua convicção é evidente: “Se o meu senhor procurasse o profeta que está em Samaria, ele o curaria da lepra” (v. 3). Com essa afirmação, ela demonstra uma fé madura e consciente; mesmo sendo pequena, tornou-se “boca de Deus” para proclamar o seu poder. 

 

E quanto a nós, amado leitor, que tal aprendermos com essa menina a aproveitarmos as oportunidades para fazer o bem? Atitudes pequenas podem gerar grandes realizações. Quando alguém se importa e se compadece, mesmo que através de um gesto simples, pode gerar grandes benefícios a outros. Jesus se importa e intervém na vida das pessoas. Ele se importou com a dor da viúva de Naim e trouxe o filho dela de volta à vida (Lc 7.11 a 16). 

 

Aprendamos, também, a não medir esforços na tentativa de ajudar, mesmo que precisemos sair da nossa zona de conforto. Quando amamos a Deus acima de tudo, não tememos correr riscos na tentativa de ajudar ao próximo. E, por último, em meio às dificuldades, alimentemos nossa fé e esperança naquele que realizou e realiza milagres. É certo que, quando enfrentamos lutas, temos a tendência de esquecer os feitos do Senhor, os milagres e realizações do passado e, muitas vezes, perdemos a capacidade de acreditar no impossível. Mas o Deus de Eliseu, o nosso Senhor, não mudou e não muda! Ele continua capaz de realizar milagres, prodígios e sinais. 

 

Que na caminhada cristã, nossa fé prevaleça mesmo em circunstâncias adversas; que conservemos em nossas lembranças os feitos miraculosos do Senhor no passado e nos doemos na tentativa de auxiliar, mesmo que seja com gestos considerados pequenos, pois somente Deus sabe o impacto que estes podem causar na vida de alguém.

 

 

Abilene da Paz Barros Silva é Pastora da Igreja Congregacional Sião – São Luís – MA, graduada em Teologia e Pedagogia, e pós-graduada em Psicopedagogia e Psicanálise. É coordenadora nacional da Rede Tirzah Brasil. Contato: abipaz21@gmail.com, www.tirzahbrasil.com.br, fone: (98)981184526

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