A TRÍPLICE GRAÇA 

A tríplice graça, uma vez posta em prática, permite que nos tornemos mestres de nós mesmos e dos outros.”.

 

A vida em família nos reserva momentos de intensas relações afetivas que nos fortalecem e são a causa de grande alegria. No entanto, no seio familiar, vivenciamos conflitos que, muitas vezes, deixam marcas profundas.

Em nossa cultura, o lugar de maior convívio durante a infância é a família. Sabemos que a base da personalidade é formada durante a infância e que o equilíbrio emocional é construído a partir dos primeiros anos de vida. Os pais, ou aqueles que estão perto da criança, depositam amor – e esse amor gera amor próprio. Mas é comum encontrarmos lares onde há ausência das figuras materna e/ou paterna, ou de alguém que seja capaz de desempenhar satisfatoriamente essas funções.  Além disso, não poucas vezes, mesmo estando presentes fisicamente, os pais ou responsáveis estão ausentes no que se refere a suprir necessidades básicas como: amor, afeto, transmissão de valores morais, éticos e cristãos essenciais à formação do ser emocional e espiritualmente saudável.  

O convívio familiar saudável favorece a formação da boa autoestima, da autoconfiança e da autodeterminação, atributos basilares para as relações intrapessoal e interpessoal. Mas, o que são esses atributos? E como agir no seio familiar para ajudar na construção de cada um?

  • Autoestima – É a relação sadia que o indivíduo estabelece consigo mesmo, do nível de aceitação que ele tem do sentido da vida e do próprio corpo. É o que se pensa de si mesmo. A autoestima é formada a partir de elogios relacionados ao investimento realizado e não às capacidades percebidas na criança. (É sempre bom dizer: “Parabéns! Gostei de ver o quanto você se dedicou nesta tarefa! Que bom que você ajudou! Você tem bom coração!”).

Pense um pouco sobre como foi formada sua autoestima nos primeiros anos de vida.

  • Autoconfiança – Refere-se ao conhecimento do próprio potencial, talento, habilidades e fé. Como se constrói a autoconfiança? Confiança precisa ser injetada pelo exemplo e por comandos: começa na delegação de responsabilidades, carregar a própria mochila, pequenos compromissos (arrumar a cama, o material escolar e fazer tarefas).

A forma como lidamos com os nossos erros revela como anda nossa autoconfiança.

  • Autodeterminação – É a capacidade de decidir, escolher, agir sobre os fatos e situações e provocar mudanças. É ter consciência do eu, dos gostos; se conhecer. É saber aonde se quer chegar, ir em direção ao foco e permanecer nele – e, também, iniciar e terminar as tarefas. A autodeterminação nasce do elogio (“Como você é importante!”; “Se você não estivesse aqui, eu não faria a metade do que faço”).

As figuras paternas e maternas são de fundamental importância para consolidar a autodeterminação. Sua ausência deixa lacunas na vida das crianças.

 

Amado leitor, convido você a dar uma olhada em si mesmo, refletir e tentar responder: O convívio familiar tem sido saudável? De que forma ajudo aos que convivem comigo a fortalecer a autoestima, a autoconfiança e a autodeterminação? Se tal reflexão gerou em seu coração algum sentimento de impotência ou fraqueza, quero animá-lo a confiar e esperar em Deus, pois o seu poder é que nos movimenta e nos põe de pé. Não é a força do nosso braço que vai estabelecer o sucesso ou o fracasso da vida em família.

“Por essa razão, torno a lembrar-lhe que mantenha viva a chama do dom de Deus que está em você mediante a imposição das minhas mãos. Porque Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação” (2 Tm 1.6 e 7).

Na ocasião em que fora preso, o apóstolo Paulo transmitiu essa palavra a Timóteo para encorajá-lo a buscar confiança em Deus e assumir o ministério na sua ausência. A ênfase é para não esquecer o dom de Deus e apropriar-se de três aspectos liberados gratuitamente pelo Senhor para fortalecer a caminhada. Faço uso do texto para apresentar a tríplice graça necessária à vida em família: poder, amor e moderação.

  1. Poder – nesse contexto, refere-se ao caráter para exercer autoridade sem arrogância. Assim, o exercício do poder no ambiente familiar ajuda na formação da autoestima, da autoconfiança e da autodeterminação, uma vez que, nessa perspectiva, o exercício do poder não é soberbo.

  2. Amor – traz equilíbrio ao poder. Nossas ações em família devem ser regidas pelo amor de Deus e de uns para com os outros. As regras e os limites são estabelecidos com base no amor.

  3. Moderação – a palavra grega aqui apresentada é sophronismo – que dá a ideia de saúde mental, equilíbrio e sensibilidade. Agindo desse modo, a sabedoria edificará a casa.

 

           A tríplice graça, uma vez posta em prática, permite que nos tornemos mestres de nós mesmos e dos outros. Que nossas ações sejam permeadas da tríplice graça, a fim de que sejamos ousados, amorosos e sensíveis. Que o Espírito Santo reavive nosso íntimo e nos anime a colocar em prática seus ensinos no seio familiar.

 

Abilene da Paz Barros Silva é Pastora da Igreja Congregacional Sião – São Luís – MA, graduada em Teologia e Pedagogia, e pós-graduada em Psicopedagogia e Psicanálise. É coordenadora nacional da Rede Tirzah Brasil. Contato: abipaz21@gmail.com, www.tirzahbrasil.com.br, fone: (98)981184526

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