ATITUDE INSPIRADORA

Nossa motivação era semelhante: alcançar os pecadores com a mensagem de Cristo e ensinar a Palavra de Deus aos novos convertidos.”.

 

Um dia desses, eu me lembrava de quando cheguei a São Luís do Maranhão, há 30 anos, com meu esposo e uma filha de três anos. Fomos enviados pelo Departamento de Missões da UIECB (União das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil) para darmos continuidade a um trabalho iniciado dois anos antes. Havia poucas igrejas na cidade, e pouco a pouco fomos conhecendo alguns pastores de outras denominações, com os quais lutamos juntos pela causa do Evangelho. Nossa motivação era semelhante: alcançar os pecadores com a mensagem de Cristo e ensinar a Palavra de Deus aos novos convertidos.

O tempo passou e várias igrejas foram plantadas. Novas denominações surgiram no Maranhão, como em todo o Brasil. Isso nos alegra? É claro que sim! Preocupa-nos, no entanto, algumas vozes que ecoam em várias dessas igrejas e denominações. Algumas trazem um discurso veemente, acompanhado de uma retórica recheada de dogmas e religiosidade. Outras, por vezes, apresentam um “evangelho” com pouca fundamentação bíblica e o insistente discurso da busca da prosperidade. 

O livro de Esdras traz as seguintes palavras: “Esdras tinha decidido dedicar-se a estudar a Lei do Senhor e a praticá-la, e a ensinar os seus decretos aos israelitas”(Ed 7.10). Este texto aguçou a minha mente e trouxe ao meu coração um desejo ardente de ver cada um que se propõe a levar a mensagem do Evangelho assumir postura semelhante à de Esdras.

Sabe-se que Esdras, cujo nome significa “auxiliador”, é mencionado no capítulo 7 como um escriba, conhecedor da Lei de Moisés. Contemporâneo de Neemias, Ageu, Zacarias e Malaquias; ele desce da Babilônia para Jerusalém no sétimo ano do rei Artaxerxes. Ele era um secretário, perito em livros que recebeu capacidades criadoras; um intérprete, estudioso da Lei, abençoado e guiado pela “boa mão do Senhor seu Deus”.

 

A atitude de Esdras, citada no versículo, revela três ensinos significativos:

 

  1. A dedicação ao estudo da Palavra é questão de decisão

Uma vez que a dedicação produz entusiasmo, motivação e envolvimento, a decisão de dedicar-se ao estudo da Palavra é a atitude mais acertada que alguém pode tomar. O salmista declara: “A lei do Senhor é perfeita e revigora a alma. Os testemunhos do Senhor são dignos de confiança e tornam sábios os inexperientes. Os preceitos do Senhor dão alegria ao coração. Os mandamentos do Senhor são límpidos e trazem luz aos olhos” (Sl 19.7 e 8). Nessa perspectiva, os que se dedicam ao estudo da Bíblia estão cuidando da própria saúde física e espiritual. 

 

  1. É necessário disposição para praticar o que aprendemos

Tiago afirma que aquele que é apenas ouvinte da Palavra engana-se a si mesmo, enquanto que, o que observa atentamente e persevera na prática, será feliz em tudo o que fizer. (Tg 1.22 e 25). O ensino dissociado da prática torna-se, portanto, discurso vazio. São Francisco de Assis falou, em certa ocasião: “Pregue o Evangelho em todo tempo; se necessário, use palavras”.

 

  1. Assumir o compromisso com o ensino genuíno da Palavra é imprescindível

O objetivo de Esdras era ensinar a Lei sob a inspiração divina. Na sua primeira carta a Timóteo, no capítulo 4, Paulo parece estar em sintonia com Esdras, ao orientar seu jovem discípulo a ser um exemplo para os fiéis, incentiva-o a dedicar-se à exortação e ao ensino, bem como a ser diligente, dedicando-se inteiramente aos preceitos do Senhor. Paulo conclui: “Atente bem para sua própria vida e para a doutrina, perseverando nesses deveres, pois, agindo assim, você salvará a si mesmo e aos que o ouvem” (1 Tm 4.16). Tanto no texto de Esdras quanto na Carta a Timóteo, a conotação é a mesma: para falar aos homens, é necessário escutar a Deus.

 

Amado leitor, numa época em que a fé evangélica é questionada e o discurso dualista de muitos pregadores nem sempre traduz a genuína mensagem das Sagradas Escrituras, a feliz iniciativa de Esdras serve de inspiração, a fim de que os que ensinam dediquem-se, antes e enquanto ensinam, a conhecer a Deus por meio de sua Palavra. E os demais cristãos tenham a mesma disposição no coração, para não serem enredados por qualquer vento de doutrina. Neste sentido, o desejo ardente de meu coração será satisfeito quando os que levam a mensagem do Evangelho forem motivados pelo próprio Evangelho. E então, as sutilezas, os sofismas e os apelos sensacionalistas dos que desvirtuam os ensinos bíblicos darão lugar às vozes que ecoam daqueles que anunciam à mensagem cristocêntrica, a autêntica Palavra de Deus.

 

Abilene da Paz Barros Silva é Pastora da Igreja Congregacional Sião – São Luís – MA, graduada em Teologia e Pedagogia, e pós-graduada em Psicopedagogia e Psicanálise. É coordenadora nacional da Rede Tirzah Brasil. Contato: abipaz21@gmail.com, www.tirzahbrasil.com.br, fone:(98)981184526.

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