DEVOÇÃO ADMIRÁVEL

“Que o Senhor aguce a nossa percepção espiritual, dando-nos convicção de pecados, corações quebrantados e sedentos de sua presença”.

 

Folheando as páginas da Bíblia Sagrada, encontramos várias histórias de mulheres valorosas, virtuosas, fortes líderes que marcaram suas gerações, tornando-se bons exemplos a serem seguidos. Temos, porém, em Lucas 7.36-50, o relato de uma mulher, intitulada “pecadora” – nem sabemos seu nome – cuja descrição denota uma devoção inspiradora. Esta, mesmo não tendo uma reputação exemplar nos desperta uma grande admiração. Sua história evidencia uma espiritualidade aguçada e uma humildade profunda, além de abnegação, fé e desprendimento. O texto fala que certo fariseu hospedou Jesus. Assim, sabendo ela que Jesus estava na casa de Simão, prontamente prepara sua devoção ao Mestre amado: um vaso de alabastro, pedra preciosa muito sensível, com nardo, um perfume caríssimo. (v.37). Na presença de pessoas que por certo a conheciam, sem reservas, inicia sua devoção ao amado de sua alma: se colocou atrás de Jesus, a seus pés, “chorando, começou a molhar-lhe os pés com suas lágrimas. Depois os enxugou com seus cabelos, beijou-os e os ungiu com o perfume” (v 38).

 

Ao derramar sua própria vida na presença do Senhor, sem cerimonial, a pecadora demonstra gratidão, quebrantamento, humildade, fé e sua necessidade mais urgente: perdão dos pecados.  O resultado não podia ser outro: a manifestação incondicional da misericórdia de Deus, liberando perdão e salvação (v. 47). Seu choro, dor e vergonha foram recompensados por palavras confortadoras: “Seus pecados estão perdoados ... Sua fé a salvou: vá em paz” (vv. 48 e 50).

 

Na ocasião, Simão, o anfitrião, decepcionado com a atitude de Jesus de acolher a devoção da mulher, alimenta incredulidade, insensibilidade espiritual e evidencia uma interpretação das Escrituras pelo ponto de vista dos resultados da queda, na máxima “a alma que pecar, essa morrerá” (Ez.18.20). Porém, Jesus, conhecedor dos intentos e dos pensamentos de Simão (v. 39), aproveita o momento e aplica uma parábola (vv. 41 e 42), deixando-nos um valoroso ensino sobre o grande amor que é gerado no coração do pecador que alcança o perdão das suas muitas transgressões. Esse ensino revela a exata perspectiva bíblica estabelecida por Deus para a redenção da humanidade: Jesus, mais que um profeta, o Salvador e Redentor, aquele que perdoa sem distinção, vivifica e purifica da vida do homem.

 

Em contraste com a insensibilidade de Simão, a percepção espiritual da mulher pecadora lhe permitiu entender ser Jesus, de fato, o Messias prometido! O único capaz de perdoar pecados e digno de ser reverenciado e adorado. Ela não deixou sua alma na morte, mas, como quem recebe com clareza a revelação da missão redentora de Cristo, entregou sua vida nas mãos do Senhor que tem autoridade de dar a vida, e vida eterna.

 

Amado leitor, o relato do texto nos impulsiona a levantar alguns questionamentos. Qual tem sido nossa postura diante do Senhor? Como estamos lhe apresentando nossa devoção? Há o reconhecimento de pecados, atitude de humilhação, quebrantamento e contrição? Como anda nossa percepção espiritual? O que temos derramado de precioso diante dele?

 

Minha oração é que o Senhor aguce a nossa percepção espiritual, dando-nos convicção de pecados, corações quebrantados e sedentos de sua presença! Que nossa devoção seja verdadeira e sejamos reconhecidos como quem derrama a própria vida, continuamente, diante do seu altar! E que nossa devoção seja admirável diante dos olhos do Senhor!  

Abilene da Paz Barros Silva é Pastora da Igreja Congregacional Sião – São Luís – MA, graduada em Teologia e Pedagogia, e pós-graduada em Psicopedagogia e Psicanálise. É coordenadora nacional da Rede Tirzah Brasil. Contato: abipaz21@gmail.com, www.tirzahbrasil.com.br, fone: (98)981184526

Ligue:

43 - 99184 7577